Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas,
de Tintas e Vernizes, Sabão e Velas e de Material Plástico/RJ

Filiado à CUT


 

Março/abril de 2008

Editora: Jussara Magalhães

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Reduzir a jornada de trabalho é gerar empregos de qualidade


CPMF acaba, mas
preços não caem


Trabalho que mata


 

ONGs

Irregularidades têm
que ser apuradas


As mulheres e suas conquistas


Formação

Formaquim 2008


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O Reagente

 

Reduzir a jornada de trabalho é gerar empregos de qualidade

A Central Única dos Trabalhadores – CUT e outras cinco centrais sindicais do Brasil realizaram ato público no dia 11 de fevereiro, em São Paulo, lançando a segunda fase da Campanha Nacional pela Redução da Jornada sem Redução de Salário. Na primeira fase as centrais entregaram, em julho de 2005, ao então ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, abaixo-assinado com mais de 100 mil assinaturas. Agora, o objetivo é recolher no mínimo um milhão de assinaturas até 1º de maio e entregá-las ao Congresso Nacional.

Segundo estimativa das centrais, a diminuição da carga de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a adoção de medidas complementares como o fim do banco de horas, a limitação das horas extras e a não redução dos salários, poderá criar até 2,8 milhões de novos empregos com carteira assinada.

A luta pela redução da jornada de trabalho é quase tão antiga quanto a classe operária. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais e seis horas para o trabalho em turno de revezamento. Também fixou o adicional de hora extra em 50%. Porém, o número de postos de trabalho não alcançou o percentual desejado. A razão principal é que os empresários passaram a aumentar o número de horas extras e o ritmo de trabalho para compensar a redução da jornada. Segundo o Dieese, a região metropolitana de São Paulo registrou 6,6 milhões de horas extras por semana, somente em 2002.

Além do desemprego, as longas e intensas jornadas de trabalho geram diversos problemas relacionados à saúde como, por exemplo, estresse, depressão e lesões por esforço repetitivo (LER). Aumentam também as dificuldades para o convívio familiar, que tanto podem ter como causa a falta de tempo para a família como sua desestruturação, em virtude do desemprego de seus membros.

Participam da campanha, além da CUT, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT).

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CPMF acaba, mas preços não caem

Todos precisam saber que a direita usa a imprensa conservadora para enganar o povo

Levantamento da Fundação Getúlio Vargas demonstra que o fim da Contribuição Provisória sobre a Manutenção Financeira - CPMF não resultou em queda no preço dos produtos. Segundo o IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo, de janeiro, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE o que ocorreu foi uma elevação de 0,26% em média.

Para a indústria farmacêutica a CPMF pesava 1,49%, mas em janeiro a alta dos preços foi de 0,15%. Nos eletroeletrônicos, o tributo pesava 1,74% mas os produtos subiram 0,11%. Nos transportes, pesava 1,33% e seu fim não impediu uma alta de 0,4% para o consumidor.

O imposto foi extinto em dezembro de 2007 e representou redução de R$ 40 bilhões na arrecadação federal para 2008. A bancada do governo no Senado tentou prorrogar o chamado “imposto do cheque” até 2010, mas foi derrotada pelos partidos de oposição.

Resta saber para onde está indo o dinheiro que continua sendo “arrecadado” já que os trabalhadores não foram beneficiados.

A oposição de direita conseguiu convencer a opinião pública de que o fim da CPMF resultaria em ganho imediato para a população, pois desoneraria a produção. Mentira deslavada que contou com o apoio incondicional da mídia conservadora.

O fim da CPMF beneficiou, sim, uma parcela de brasileiros: os sonegadores!

 

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Trabalho que mata

Pelo menos cinco mil pessoas morrem diariamente pelo simples fato de trabalhar. Os dados constam em estudo da Organização Internacional do Trabalho - OIT. Anualmente, cerca de 160 milhões trabalhadores contraem doenças profissionais e 270 milhões são vítimas de acidentes de trabalho. Deste total 2 milhões são acidentes fatais.

No Brasil, segundo dados da Previdência Social, foram registrados 458,95 mil acidentes de trabalho em 2004, 17,63% a mais do que o ano anterior. As mortes também aumentaram: 2.801, 4,74% a mais do que em 2003. Os números baseiam-se apenas nos registros do CAT – Comunicação de Acidente do Trabalho. Doenças e acidentes não são notificados quando o afastamento do trabalhador é menor do que 15 dias, e mesmo quando o afastamento é superior a este período, é normal que ele receba um auxílio-doença comum, desvinculando o problema da realidade trabalhista.

A subnotificação implica em uma série de perdas de direitos. Quando caracterizado como acidente comum, o trabalhador deixa de ter direito à estabilidade de um ano, ao recolhimento do FGTS durante o período de afastamento e ao cálculo do período de afastamento nas férias e aposentadoria. A subnotificação também exime o empregador de responsabilidade pelo acidente e dificulta a atuação das entidades sindicais e a implementação de políticas públicas de prevenção, além do estabelecimento de nexo causal no caso de ser necessária aposentadoria definitiva como doença do trabalho.

Os principais vilões desta triste estatística - a falta de investimentos em manutenção e treinamento, o ritmo do trabalho, a constante exigência de aumento de produção, a precarização inerente à terceirização da mão-de-obra e a falta de punição para o descumprimento da legislação trabalhista – levam o trabalhador a se expor cada vez mais, deixando de lado sua saúde física e mental.

Mudar este quadro é um grande desafio. O medo do desemprego, a pressão por produção cada vez maior, o estímulo à competição e ao individualismo são fatores que incentivam a instabilidade e insegurança, levando o trabalhador a aceitar situações extremamente nocivas como trabalhar horas excessivas além da jornada normal, acumular férias, exercer tarefas que não são suas, aceitar pressão para produzir mais e mais rápido, abandonar equipamentos de segurança etc.

 

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ONGs
Irregularidades têm que ser apuradas

Instaurada em outubro de 2007, a Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI das Organizações Não Governamentais - ONGs investiga cerca de 250 entidades que receberam acima de R$ 200 mil anuais do governo federal desde 1999. De acordo com os membros da Comissão o objetivo é apurar fraudes e melhorar o controle num setor que movimentou R$ 32 bilhões de 1999 a 2006, somente em repasses do governo federal.

Com prazo até 12 de maio, a CPI apurou até agora indícios de irregularidades em algumas das entidades e continua ouvindo os supostos envolvidos. O presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), corre para tentar apurar as denúncias. Somente em um dia, 19/02, ele despachou 23 requerimentos para convocação de representantes de ONGs e de quebra de sigilo bancário de 14 entidades, mas a comissão reúne-se somente às quartas-feiras.

O termo ONG surgiu em 1950 quando a Organização das Nações Unidas – ONU utilizou-o para definir toda organização da sociedade civil que não estivesse vinculada a um governo. No Brasil existem mais de 260 mil ONGs atuando em dezenas de áreas. Muitas delas realizam seu trabalho – ou não – em espaços próprios ao poder público.

Não se trata de defender ou acusar alguma ONG. É fácil perceber pela quantidade de Organizações existentes – somente na Região Amazônica são mais de 30 mil – a possibilidade de irregularidades e fraudes. Porém, a função da CPI é exatamente essa: realizar um levantamento, identificar e denunciar algum funcionamento irregular.

Mais do que acusar esse ou aquele parlamentar ou partido político, o importante mesmo é saber se o dinheiro do trabalhador e da sociedade brasileira está sendo utilizado de forma ilegal. Ficar discutindo qual partido recebeu mais repasses é balela, briga política que não levará a lugar nenhum. A população precisa é ser informada para onde estão indo e como estão sendo gastos os milhões de reais que saem dos nossos bolsos através de impostos municiais, estaduais e federais.

Um dos recentes acusados de favorecer Ongs da base governista, o ministro de Trabalho, Carlos Lupi, defendeu-se mostrando que a realidade talvez não seja exatamente essa: relacionou um total de R$ 430 milhões em convênios assinados ou renovados ao longo de 2007 até fevereiro de 2008. Segundo a lista, ao PDT, foram destinados R$ 14,4 milhões enquanto, para o PT, foram R$ 96,3 milhões. Os partidos de oposição à administração federal também foram destacados. Para o DEM, aparecem R$ 54,1 milhões e, ao PSDB, R$ 102,4 milhões.

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As mulheres e suas conquistas

As conquistas femininas precisam ser ampliadas. Com certeza muita coisa ainda está por fazer. Mas, ao longo do governo Lula, demos passos importantes na busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Entre eles estão a recente aprovação do Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, a titulação de terras dos assentamentos em nome do casal, a Lei Maria da Penha de punição à violência doméstica e familiar, a lei que beneficia as empregadas domésticas e a expansão do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna.

No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de freqüentar as escolas elementares, em 1827. Ensino superior só foi permitido em 1879, mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade. O direito ao voto só veio em 1932, quando Getúlio Vargas promulgou o novo Código Eleitoral.

Outras conquistas femininas são bem mais recentes: em 1996, a escritora Nélida Piñon foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de Letras; em1998, a senadora Benedita da Silva tornou-se a primeira mulher a presidir uma sessão do Congresso Nacional e, em 2003, Marina Silva, do PT do Acre, reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assumiu o ministério do Meio Ambiente do governo Lula.

No mundo, somente em 1945, através da Carta das Nações Unidas, a igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional. E a igualdade de remuneração entre os sexos masculino e feminino, para funções iguais, só foi aprovada em 1951, pela Organização Internacional do Trabalho.

Em outubro de 2007, Cristina Fernandez de Kirchner tornou-se a sexta mulher a assumir o cargo de chefe de estado no mundo, ao ser eleita presidente da Argentina. Antes dela, em janeiro de 2006, Michelle Bachelet assumiu a presidência do Chile.

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Formação

Formaquim 2008

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a Confederação Nacional do Ramo Químico - CNQ-CUT vem realizando, nos últimos três anos, o programa Formaquim, de formação de dirigentes e militantes sindicais do setor.

Todos os anos os cursos são realizados em um local determinado, com hospedagem dos participantes. Este ano em função das eleições municipais, a proposta é que os cursos sejam realizados segmentadamente, ou seja, em cada cidade onde houver demanda do sindicato local.

A previsão é de que sejam realizados quatro módulos entre março e agosto de 2008, tratando dos seguintes temas:

• Formaquim Regional

• Formaquim Mulher

Mais informações na Federação, com o companheiro José Carlos, pelo telefone (21) 2580-9384

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